
NALDOVELHO
Pegue um recipiente,
nem precisa ser muito grande!
Depois de untá-lo com cuidado,
deposite, nele, palavras.
Coloque primeiro a palavra amor,
adicione então a palavra tempo,
a palavra rotina e a palavra incompreensão.
Misture bem e, só depois, leve ao fogo brando.
Coloque, agora, a palavra perda
e continue a misturar até encontrar o ponto,
quando surgirão, como por encanto,
palavras outras, algumas loucas,
tal como a palavra saudade.
Algumas outras palavras servem de tempero,
e na medida certa, sem exagero,
use a palavra nostalgia,
e se achar que deve, a palavra solidão.
Despeje tudo numa bandeja
e deixe descansar a massa.
Antes de servir
é bom aparar as sobras,
este tipo de alimento
apesar de não levar fermento,
às vezes cresce em excesso
e arestas como estas,
se não eliminadas,
costumam ser amargas.
Já está pronto!
Sirva com vinho tinto,
suave, licoroso e embriagante.
Iguaria pra apurado paladar.
Esperem um pouco.
Já ia esquecendo!
o nome da receita?
Coisa mal resolvida,
mas se você quiser
pode chamar de poema.

1 comment:
Parabens Poeta Naldo,
Esse poema eu conheço bem a receita.
Essa receita contem ingredientes meio alterados.
O tempo por final acabou estragando a receita...
Trouxe incompreensao, dores, tristezas de tantas coisas,atos inacabados...
Saudades de um grande amor, uma grande paixao que se foi...
A dor que ficou...
O tempo levou, levou com ele a esperança de uma nova receita de amor...
Eu sei..essa receita e´a vida!
Vida, de altos e baixos
Vida da impermanencia
Vida das incoerencias
Vida?
Que vida hein?
Muito lindo, tao verdadeiro! Parabens Poeta!
Te mando muitos beijinhos
Joana Ara Pons
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