Sunday, December 02, 2007

CICATRIZES



NALDOVELHO


Portas fechadas, ruas desertas,
nenhuma conversa, janela entreaberta,
silêncio inquietante em quarto minguante,
e o meu telefone se toca, é engano.
Cidade vazia, distante e perversa,
sobrou o perfume e um livro estranho,
cidade dos anjos, caídos, sem sonhos,
de asas cortadas não ousam voar.
Sobrou um poema de versos profanos
e na madrugada vazia de planos,
um bolero arrastado, um blues e um tango
avisam que o dia ainda custa a chegar.
E mais uma dose de pura aguardente,
a sede que eu tenho já faz tantos anos,
cicatrizes que eu trago, a maioria latentes,
algumas ardidas ainda sangram se toco,
outras antigas exibidas nos olhos,
vez por outra ainda choram se insisto em lembrar.

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